O padrão formado pelo pelos vasos sanquíneos é único para cada indivíduo. A mão de uma pessoa possui padrões que levam a características diferenciadoras, que por sua vez permite a identificação de indivíduos.
Existem várias outras características que tornam uma informação biométrica mais ou menos útil para o desenvolvimento de sistemas de autenticação baseados nessas informações.
No caso das veias da mão, a característica mais importante é a provável dificuldade de se forjar essas informações biométricas o que habilitaria uma pessoa a se passar por outra.
Como esse padrão de veias é interno, fica muito difícil ler ou copiar essas informações.
Mas, como então é feita a leitura desses dados biométricos pelo sistema? Num sistema típico a mão é irradiada com raios infravermelhos e a radiação refletida é lida por sensores. A hemoglobina absorve esses raios infravermelhos, reduzindo a reflexão, o que faz com que as veias apareçam como padrões escuros na imagem. Esses padrões são usados para registrar e autenticar indivíduos.
Uso comercial.A estréia comercial de um sistema de biometria pelas veias da mão se deu em Outubro de 2004 no Bank of Tokyo-Mitsubishi Ltd. A empresa por trás desse sistema: Fujitsu.
Praticamente a única empresa a desenvolver esse tipo de biometria, a Fujitsu vem fazendo um intenso trabalho de marketing em torno do seu produto. De fato, se as alegações da Fujitsu são verdadeiras, estamos diante de um sistema biométrico que reúne quase todas as características chaves desse mercado.
Unicidade.
A Fujitsu alega que, utilizando uma base de 140.000 mãos, atingiu uma taxa de falsa aceitação (FAR) de 0,00008% para uma taxa de falsa rejeição (FRR) de 0,01%, o que significa que 1 em cada 10000 pessoas não serão reconhecidas pelo sistema, enquanto 1 em cada 1.250.000 serão reconhecidas falsamente como outra pessoa. Isso equipararia o sistema com os melhores sistema de biometria por impressão digital existentes no mercado. Alguns pensamentos a respeito desses números:
1. Foram gerados pela própria Fujitsu usando uma base privada.
2. Existem muito pouca pesquisa sendo feita sobre veias, quase não há papers sobre o assunto no meio acadêmico.
3. Os grandes players do mercado continuam apostando em impressões digitais e face.
4. Um dos cientistas mais renomados da área (A. K. Jain) acredita que o nível de unicidade das veias seja médio, enquanto as impressões digitais tem nível de unicidade alto (
http://en.wikipedia.org/wiki/Biometrics).
5. Não existe uma competição pública voltada para a biometria das veias que mostre o estado da arte desses algoritmos.
6. Não existem ainda resultados gerados por organismos independentes.
Aceitação.Esse tipo de sistema não necessita de contato direto, podendo ser percebido como mais higiênico e menos invasivo. Mas o público em geral também poderia ver os raios infravermelhos como perigosos e invasivos. Não fica claro para mim uma aceitação maior desse sistema em relação a outros sistemas biométricos.
Coletabilidade.Quão fácil é coletar esses dados das veias? nos folhetos da Fujitsu vemos uma versão do leitor com apoio e outra versão sem apoio; o leitor com apoio é um trambolho comparado com os leitores de impressão digital que, inclusive, já vem embutidos em notebooks; o leitor sem apoio deve dificultar a coleta com qualidade. A propria Fujitsu alerta que os leitores não funcionam sob luz solar ou luz incandescente, podemos interpretar isso como uma dificuldade de coletar a biometria fora do laboratório.
Resistência a fraudes.Esse sim parece ser um ponto em que essa biometria é superior a algumas outras; por estar dentro do corpo da pessoa, a proteção é evidente. Pouco conhecemos ainda sobre a tecnologia, e acho que, com a popularização, podem aparecer fraudes; é só questão de tempo.
Parte do material da Fujitsu parece espetaculoso em face da realidade conhecida pelos que trabalham nessa área de biometria. A Fujitsu vende um SDK do seu produto e em pouco tempo mais e mais pessoas estarão usando e avaliando essa tecnologia e portanto os fatos práticos dessa tecnologia começarão a ser investigados e divulgados.
Por enquanto a popularidade desse sistema depende fortemente do fator custo: enquanto um leitor de impressões digitais custa entre US$30 e US$100, o leitor de veias custa cerca de US$1000, valor proibitivo para o mercado brasileiro.
No BrasilO banco Bradesco foi o pioneiro no uso dessa tecnologia no Brasil. No segundo semestre de 2006, foram implantados leitores de veias em cerca de 50 caixas automáticos do Bradesco para avalização do sistema. Os bancos são o principal alvo da Fujitsu no Brasil porque investem muito dinheiro em segurança e devido ao fato de que a tecnologia teve uma boa aceitação entre os bancos japoneses.
Observar os próximos passos do Bradesco pode ser um bom indicativo da maturidade da tecnologia. A Fujitsu também prometeu um leitor de veias do dedo o que simplificaria o processo e diminuiria o tamanho e custo dos equipamentos. É só aguardar para ver.